sexta-feira, 31 de outubro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
Apessoando
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
(Fernando Pessoa)
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
(Fernando Pessoa)
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O inferno são os outros. Os outros sou eu.
A complexidade do ser humano é boa, mas atrapalha muito de vez em quando. Ser diferente do outro é muito difícil. Sobretudo porque o outro, assim como nós mesmos, é sempre tão insatisfeito. Todo mundo sempre quer mais do que tem. E ninguém tem tudo, porque às vezes o que o outro oferece é sempre o que ele mesmo quer. Eu sou o eu, eu sou o nós, eu sou o outro, não tenho tudo que quero e ofereço o que eu procuro ao invés do que eu devo. Ou deveria. Porque eu sou ser humano, complexo, diferente e torto. E, como muita gente, ando enchendo o inferno com mais algumas boas intenções, que estão valendo só pra ocupar espaço lá mesmo.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Quem diz que o tempo é o melhor remédio provavelmente nunca foi à farmácia. E por isso está perdendo tempo com dores curáveis, sanáveis e atenuáveis. Dipirona e seus amigos estão sempre a postos pra fazer você pensar que está quase tudo bem, por isso não espere mais. Eu adoro farmácias, com seus cosméticos, produtos de higiene e promessas de que amanhã você vai se sentir melhor. Viva o comprimido, as gotas, o xarope e até a injeção. Não precisa nem ser de graça, se garantir pra mim que o que dói hoje amanhã já vai ter ido embora.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Eu entre aspas
"Porque não querer pra mim tem a força de mil mundos e mal estar pra mim tem a dor de mil mundos e não ir com a cara de alguém, pra mim, tem a ojeriza de mil vidas."
Tati Bernardi
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Diferícil
É sempre difícil ser diferente. Não aquele diferente cool, interessante, mas o que vai contra a maioria num sentido mais "complexo". Por exemplo: deve ser difícil ser um republicano em meio a democratas. E vice versa. Assim como é difícil gostar de pagode numa turma que gosta de rock. Ou querer falar sobre um livro num salão de beleza em que todo mundo conversa sobre a novela. Da mesma forma, é difícil ficar feliz no meio de um monte de gente triste, deprimida e irritada - difícil e cansativo, porque você fica lá sorrindo, tentando levantar o humor da galera e a única coisa que sobe é a nuvem negra que vai chover em cima de você já já. E é difícil também ser águia no meio de um monte de galinhas. Tanto que aquela lá, do Rubem Alves, fez de tudo pra não ser águia e parecer com as suas companheiras, traindo sua espécie, aparência e instintos. Porque é difícil, meu povo. Ser ave de rapina sorridente e curiosa criada em galinheiro tradicional, e por vezes até rabugento, é difícil. Mas vamo tentando aí.
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